sexta-feira, agosto 28, 2009

Sexo para lá da terceira idade

O casal de idosos resolve comemorar os cinqüenta anos de casados no motel. O velhinho foi quem deu a idéia, mas a velhinha assinou embaixo e se mostrou a mais empolgada.
_ Ô meu velho, você acha que eu devo comprar uma dessas lingeries sensuais?
_ Compra sim minha nêga, dessas com a calcinha bem pequenina.
Passaram praticamente uma semana nos preparativos. O vovozinho conseguiu com o seu médico uma prescrição para uma caixa de viagra e duas de hipertensivo, já a vovozinha conseguiu amostras grátis de lubrificante íntimo para não travar na hora H com sua ginecologista. Enfim, estavam animadíssimos com a saidinha que iriam dar.
No dia em questão surgiu um problema, o vovozinho estava com a carteira vencida e não poderia ir dirigindo.
_ Poxa paizinho, ir de táxi para o motel é tão pouco romântico. E veja só, um estranho nos levando ao motel, dois idosos, o que a de pensar? Disse a velhinha com ares de moralista, apesar da imensa vontade de ir curtir com o maridão septuagenário a banheira de hidromassagem.
_ Ô minha gatosa, eu sei, mas é que fui reprovado no exame de vista. Pudera, me botam umas letrinhas do tamanho de formigas, como se as placas de trânsito fossem feitas em Lilliput. Argumentou o velhinho, já no clima dos embalos de sábado à noite. Já sei, vou pedir pro Quincas levar a gente!
_ Pedir o nosso filho para nos levar ao motel?
_ É ele ou o táxi. E de mais a mais, você finge que ele é nosso motorista particular. Disse isso e encerrou a conversa já ligando para seu filho.
_ Alô, Quincas?
_ Sim.
_ Teu pai. Faz um favor para mim e para tua mãe? Nos leve até o motel, sua mãe cismou que não quer ir de táxi.
_ (...)
_ Quincas? Alô, Quincas? ALÔ!
_ Alô, quem é? Responde meio atordoada uma voz feminina.
_ Marluce? Teu sogro, cadê o Quincas?
_ Oi seu Atanael, o Quincas deu um acesso repentino de choro e foi correndo pro banheiro! Esta tudo bem com a dona Emengarda? Disse sinceramente preocupada a nora do seu Atanael.
_ Esta minha filha. Esse meu filho! Foi só eu pedir um favor que ele foge da raia.
_ O que o senhor pediu seu Atanael?
_ Pedi para ele levar a mim e a mãe ao motel, pois a Emengarda não quer ir de táxi! Responde já impaciente o vovozinho, sentindo o começo do efeito do viagra.
A nora achou aquilo tão bonito, um casal há tantos anos juntos, já com o peso da idade aparente, não deixar o fogo do desejo se apagar, que resolveu levá-los ao motel. Dona Emengarda sentiu-se até menos constrangida, pois se dava muito bem com a nora, e sendo uma outra mulher, compreendia certas reservas femininas.
O dia foi especial para ambos os velhinhos, único, curtiram-se como sempre fizeram por anos a fio. Já no fim, ambos deitados na cama redonda, cigarrinho aceso, dona Emengarda comenta com o marido.
_ Quer dizer que o Quincas desandou a chorar quando você disse que a gente vinha para o motel paizinho?
_ Que coisa não é Emengarda, burro velho e chorão esse nosso filho!
_ Que isso Atanael, saiba que a culpa é sua. Na época que você tinha que conversar a história das abelhinhas com o menino, você tirou o corpo fora, disse que a vida ensinava, que seu pai nunca conversou intimidades com você, e que o menino ia aprender com a vida. Estou mentindo?
_ É...
_ Viu paizinho? Deu no que deu. Traumatizou o pobrezinho.

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